Sexta-Feira, 22 de Fevereiro de 2019

Lucas Rodacoski

Lucas Rodacoski é professor universitário, formado em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi (2009), com extensão universitária em Jornalismo Gastronômico pelo Senac (2011) e pós-graduado em Gastronomia: História e Cultura, também pelo Senac (2013).

Ver todas as colunas

A ciência em defesa da comida (?)



 

 

A ciência nasce da necessidade de explicar a realidade de maneira racional e objetiva. É a busca de um conhecimento específico que responda questões hipotéticas. Filha da ciência, a tecnologia é o conjunto de técnicas que visa modificar a vida do homem.

A gastronomia, enquanto estudo, necessita de uma ciência, enquanto técnica, necessita de tecnologia.

Como primeiro instrumento de modificação de seus alimentos, o homem dominou e passou a utilizar o fogo. Mas com o tempo surgiu a necessidade de questionar o porque de cozinhar o alimento. Para responder essa questão vem a ciência.

Com as descobertas ciêntíficas vem a necessidade de aprimorar esses médotos de cocção e não só, mas também aprimorar todo o sistema alimentar desde a manipulação genética do alimento até a melhor maneira de prepará-lo, de modo que todos seus nutrientes estejam mais facilmente disponíveis para o corpo.

Se a ciência, como esclarecedora de fatos, dá vida à tecnologia, como instrumento de aperfeiçoamento de técnicas para se obter melhores resultados, a tecnologia, por sua vez, permite que a ciência solucione seus métodos. É um ciclo.

Quando a tecnologia é introduzida na gastronomia causa-se um espanto. Isso porque não se sabe mais o que se está comendo. A Monsanto, por meio da engenharia genética, criou um discurso todo colorido acerca da transgenia em prol de um mundo com mais alimento e, ao mesmo tempo, mais sustentável. Em sua página oficial na internet, a empresa diz que os “produtos visam produzir mais com menos”, ou seja, otimizar a planta. Mas a transgenia é benéfica para a saúde? Essa pergunta permanece sem resposta.

A ciência ainda influência na gastronomia através de outros meios. Conservantes, corantes, aromas e sabores artificiais são empregados nos alimentos para torná-los mais agradáveis sob todos os aspéctos (visual, olfativo, palatável e tátil). Além de prolongar a vida útil do alimento que, paradoxalmente, acaba por encurtar a vida daqueles que o consomem. Além disso, muitos desses químicos são cancerígenos e alergênicos.

Mas nem todas as intervenções científico-tecnológicas são maléficas para a saúde. O desenvolvimento tecnológico permitiu o isolamento de nutrientes e o posterior enriquecimento de produtos com esses itens isolados (como pães com ômega-3). Os estudos científicos foram, e são, importantes para determinar a maneira como os nutrientes agem no organismo, seus benefícios para o corpo e como torná-los mais biodisponíveis (como o caso do licopeno, presente no tomate, melhor absorvido pelo organismo quando aquecido).

O uso desses conhecimentos na alimentação chega, às vezes, a beirar a loucura, como o desenvolvimento de esferas, espumas, fumaças aromatizadas e outras criações que mais alimentam os olhos e experiência momentanea do que a própria barriga.

Na alimentação a ciência e a tecnologia têm a incumbência de tornar o alimento mais seguro, prolongar sua vida útil, permitir que seus nutrientes estejam melhor biodisponíveis, proporcionar novas experiências alimentares, desenvolver novos métodos de preparação e gerar quantidade de alimento suficiente para que a humanidade não morra de fome. Veja bem, “têm a incumbência”, isso não quer dizer que de fato estejam fazendo isso.












Dogus Comunicação

Sobre a Dogus Comunicação  |   Política de Privacidade  |   Blog  |   Receba Novidades  |   Acesse pelo Celular

Melhor Visualizado em 1200x900 - © Copyright 2007 - 2018, Dogus Comunicação. Todos os direitos reservados.