Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019

Flaviana Souza

Formada em Publicidade e Propaganda (UNIBERO) e Eventos (ANHEMBI MORUMBI); estudante de MBA de Criatividade e Inovação no Ambiente Empresarial (UNICESUMAR) e de pós-graduação em Gestão Pública (FAEL); com pós-graduação em Gestão Cultural (Senac), Metodologia do Ensino de Artes (Uninter) e Educação Inclusiva com ênfase em Deficiência Intelectual; tem formação profissionalizante em Artes e Design (CDS) e Museologia (MCDB).

É trainee em Inovação na Gestão Pública no Laboratório de Inovação na Gestão do Governo do Estado do Espírito Santo. Trabalhou na área da cultura na implantação do Museu da Obra Salesiana no Brasil, em São Paulo-SP, e em Campo Grande-MS colaborou com a transferência do Museu das Culturas Dom Bosco para nova sede. Foi colunista semanal do site As Operárias.

O mínimo que se espera de alguém que tem 31 anos de idade e 29 dentro de uma instituição de ensino é que transmita um pouco do que aprendeu ao longo dos anos. Esse é o desafio do momento.

Agora pretende se disciplinar e manter essa coluna sempre atualizada. (de novo rs)

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A cultura só pode ser compreendida a partir da história



 

Sim, a cultura só pode ser compreendida a partir da história… e é desse ponto que partimos, a História.

 

É tão comum ouvirmos frases como: “Pra que vou querer saber do passado?”, “Nem faço ideia, não tinha nascido, não me interessa.”, “História é chata!”, “Aff, de coisa velha já bastam as minhas roupas.”, “Quem vive de passado é museu.” e uma infinidade de variáveis. Não me assusta enfrentarmos os problemas que enfrentamos em nosso país. Mas quais seriam os argumentos que colocariam abaixo todas essas afirmações e questionamentos? Depois de pesquisar, encontrei muitos pontos interessantes (o que já era de se esperar, claro) e vou abordar alguns deles aqui e deixar as referências para que possam ser aprofundados por quem desejar.

 

“É pela relação que o homem tem com o mundo, do seu constante questionar e indagar sobre esse mundo, que surge a consciência e o conhecimento da realidade. Se o homem não tivesse a capacidade de conhecer e de compreender, viveria submetido as leis da natureza, como os demais animais.” CRUZ (2011)

 

Vinculando a frase acima temos LUCCI que nos conta que, segundo Chesterton, o homem não é verdadeiramente um homem enquanto não vê o mundo de pernas para o ar e de cabeça para baixo. Para tal acrobacia, ele sugere algo muito simples e sem riscos de contusões na coluna: estude História. “Ao se familiarizar com outros tempos, outras épocas, outras civilizações, adquire-se o salutar hábito de desconfiar dos critérios de seu tempo: eles evoluirão como outros evoluíram. É a ocasião de revisar, dentro de si próprio, o mecanismo de pensamento, suas próprias motivações etc. por confronto com o outro”.

 

Ainda é de LUCCI a afirmação de que todo ser humano para poder produzir conhecimento, deve ser crítico, deve sentir prazer em questionar e ter uma postura metodológica cujas técnicas de investigação sejam coerentes com a visão do mundo. Ou seja, todas as pessoas têm potencial para serem agentes ativos da produção e disseminação de conhecimento do passado; correspondendo às novas necessidades do mundo atual. E isso porque hoje vivemos na "sociedade do conhecimento" (expressão de Peter Drucker): a pessoa no centro do mundo.

E a sociedade do conhecimento precisa ter em seu âmago, segundo LUCCI, a educação da pessoa. Uma educação que aponta para a universalidade; que seja o oposto daquilo que que a sociedade atual é. Ela precisa daquilo que é rejeitado: uma pessoa educada para o universal. A sociedade pós-capitalista (sociedade do conhecimento) necessita dessa educação aberta mais do que qualquer sociedade anterior e, nesse quadro, o acesso à grande herança do passado é um elemento essencial.

 

Para MATOS (2011) o desgosto pela história (não como disciplina, mas como base do presente) pode ser considerado lamentável e perigoso. “Lamentável porque devido a esse desinteresse as pessoas deixam de conhecer muitas coisas valiosas que poderiam enriquecer as suas vidas e dar-lhes maior apreço por tantas realidades que as cercam. Perigoso porque a história é repleta de lições e advertências sobre coisas muito sérias, e quando as pessoas a ignoram, deixam de aprender com ela e correm o risco de repetir os seus erros.”

 

Dentro dessa sociedade onde o ser humano está no centro do mundo, é comum nos depararmos com o que MATOS (2011) denomina de “síndrome de Adão”. Adão, sendo o primeiro ser humano da terra (do mundo?), não tinha história, não tinha um passado, muito menos uma herança social e/ou cultural. É dessa maneira que muitas pessoas se comportam, incorporando Adão  como se nenhuma coisa importante tivesse acontecido antes do seu tempo, sendo elas então o marco inicial.

 

Porém, é justamente esse egocentrismo que as ensina, indiretamente e num âmbito mais restrito, a valorizar a história na busca de preencher lacunas importantes de suas vidas, em sua personalidade, como a busca por sua árvore genealógica. Também faz parte do ser humano ter o gosto por relembrar de fatos, eventos importantes de suas vidas, por meio da história oral pura, por meio de objetos, de fotografias, filmes, etc. E quanto mais idosas, mais importantes se tornam essas recordações e reminiscências. Essa história individual é responsável, em partes, pela formação de nossa identidade e sua importância é tão grande que, como aponta MATOS (2011), “é por esse motivo que, de acordo com a legislação brasileira, existem certos bens muito pessoais que nunca podem ser retirados de alguém a título de pagamento de dívida, como é o caso de cartas, fotos e outros objetos de valor afetivo. Essas coisas têm um significado para essas pessoas que não pode ser avaliado economicamente, por ser parte da sua trajetória de vida.”

 

Também é responsável pela formação da identidade pessoal os acontecimentos mais amplos da sociedade e do mundo; os grupos, as nações, a coletividade. E compreender as diferentes Ciências Sociais (Antropologia, Geografia, Sociologia, Política, etc) como um conjunto, como uma interdisciplinidade, é vital para que não se promova um conhecimento parcial e fragmentado do real, defende LUCCI. Somos unidades que só existem, persistem e resistem dentro de um grupo. Não existe o eu sem o nós; e não existe o nós sem eles.

 

É preciso cruzar os limites da bolha do individual e compreender que vivemos, em grupos e  sempre em períodos de progresso e que o progresso não é contínuo e uniforme como erroneamente somos condicionados a acreditar. Na realidade, “a humanidade avança em certos pontos, recua em outros: o impacto em nós produzido pela constatação de tal avanço deve ser o mesmo que ante a constatação de um retrocesso…” LUCCI. Esse mapa de percursos e despercursos que traçamos é a trajetória que contamos de nós mesmos, de nossa comunidade, nossa cultura, no presente, sem nos darmos conta de que em breve fará parte da história do passado.

 

Se negligenciarmos, como muitas vezes observamos ser feito, a formação no sentido histórico, estaremos desmemoriando o indivíduo, tornando um ótimo profissional técnico, mas com falhas em sensibilidade e caráter. Um irresponsável. E “tanto quanto o irresponsável, o desmemoriado não é uma pessoa completa, nem um nem outro desfrutam do pleno exercício das suas faculdades, que é a única coisa que permite ao homem, sem perigo para ele e para os seus semelhantes, o exercício de uma verdadeira liberdade.”

 

E a cultura? Bom, “Uma apreciação da nossa história irá nos ajudar a entender os aspectos positivos do nosso patrimônio cultural. Por um lado, iremos saber de onde veio a mistura de raças, o jeito alegre de ser, a musicalidade, o folclore, a riqueza do idioma e da literatura, a afetividade e tantas outras características positivas do nosso caráter nacional. Por outro lado, compreenderemos melhor como surgiu o individualismo, o desprezo pela lei, a corrupção na vida pública e as desigualdades sociais que tanto nos envergonham e prejudicam. Compreendendo os mecanismos que deram origem a esses problemas, estaremos mais capacitados para corrigi-los.” MATOS (2011)

 

 

REFERÊNCIAS

 

CRUZ, Valdeni. Por que conhecer? 2011. Disponível em  http://valdenycruz.blogspot.com.br/2011/07/porque-conhecer.html

LUCCI, Elian Alabi. Conhecer a história para entender nosso tempo. Palestra disponível em http://www.hottopos.com/videtur/elian.htm

MATOS, Alderi Souza de. A síndrome de Adão - Porque devemos estudar a História. 2011. Disponível em http://www.mackenzie.com.br/7119.html

 

 

Perdeu os outros artigos? Estão todos aí embaixo:

 

A arte como campo privilegiado de enfrentamento do trágico e o caso Jim Carrey (I needed color)

O homossexualismo na Arte e a obra de Steve Walker

A figura de Cristo e a face Aqueropita

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Cultura como direito básico gerando desenvolvimento

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