Sábado, 21 de Setembro de 2019

Flaviana Souza

Formada em Publicidade e Propaganda (UNIBERO) e Eventos (ANHEMBI MORUMBI); estudante de MBA de Criatividade e Inovação no Ambiente Empresarial (UNICESUMAR) e de pós-graduação em Gestão Pública (FAEL); com pós-graduação em Gestão Cultural (Senac), Metodologia do Ensino de Artes (Uninter) e Educação Inclusiva com ênfase em Deficiência Intelectual; tem formação profissionalizante em Artes e Design (CDS) e Museologia (MCDB).

É trainee em Inovação na Gestão Pública no Laboratório de Inovação na Gestão do Governo do Estado do Espírito Santo. Trabalhou na área da cultura na implantação do Museu da Obra Salesiana no Brasil, em São Paulo-SP, e em Campo Grande-MS colaborou com a transferência do Museu das Culturas Dom Bosco para nova sede. Foi colunista semanal do site As Operárias.

O mínimo que se espera de alguém que tem 31 anos de idade e 29 dentro de uma instituição de ensino é que transmita um pouco do que aprendeu ao longo dos anos. Esse é o desafio do momento.

Agora pretende se disciplinar e manter essa coluna sempre atualizada. (de novo rs)

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A globalização, as crianças e a mudança da referência de protagonistas



 

Dentro de um contexto de globalização onde a hipervelocidade e o excesso de informação são distribuídos de modo massivo, torna-se quase impossível manter-se inerte e fiel aos seus princípios e ideais. Recebem-se informações com as quais não se imagina ter contato um dia e vêem-se obrigados a se posicionaram a respeito. Entre o analisar e o posicionar, o imediatismo exigido faz com que não se possa refletir com cautela rompendo, de maneira brusca, características da identidade do indivíduo.

Este cenário é pintado pelo sociólogo Zigmunt Bauman como “modernidade líquida”. Uma sociedade não menos moderna que a sociedade do século XX, porém, mais compulsiva, obsessiva e insaciável no anseio de desmantelar, cortar, defasar e reduzir em nome da competitividade e produtividade. É uma sociedade que é capaz de alterar e ser alterada pela cultura, rompendo os laços com sua identidade original com a finalidade de atingir o reconhecimento por meio de uma busca de felicidade baseada no poder de consumir o que o mercado induz.  (BAUMAN, 2001)

Ao inserir um público infanto-juvenil nesse ambiente, desenvolve-se a análise apresentada a seguir.

Que a globalização afeta de maneira positiva e negativa todos os indivíduos do planeta, já se sabe. Porém, são inúmeras as maneiras possíveis de se afetar e muitos são também os perfis a serem afetados. Para este projeto, foi escolhido trabalhar a transformação das referências de protagonistas dentro do público infantil nos últimos quinze anos.

Até o final do século XX, quando se buscava um livro, filme ou desenho animado deparava-se com uma princesa de cabelos impecáveis, doce voz, olhos encantadores e sorriso fácil. Do outro lado tinha-se o herói, sempre inteligente, imune a erros, com corpo escultural e senso de humor. Eram estereótipos da perfeição e por muito tempo foram utilizados como referência por crianças de quase todo o mundo (excluímos desse grupo crianças de países com cujas culturas optam por censurar o acesso a esses elementos como muitos países árabes). Não é necessária uma bibliografia para afirmar que Barbie e Batman, por exemplo, são grandes influenciadores de sua geração, e permanecem ainda hoje, porém, em menor intensidade.

Atualmente, por meio da globalização, ou do globalitarismo autoritário de Milton Santos (SANTOS, 2001) - depende do ponto de vista do leitor -, o mundo infanto-juvenil foi invadido por uma onda “vampirísta” que se inicia em 2005 com a distribuição dos best Sellers sobre vampiros e lobisomens de Stephenie Meyer, a saga Crepúsculo, para mais de 50 países. Apesar de o público-alvo ser adolescente, o respingo nas crianças aparece menos de dez anos depois com o lançamento de desenhos como Monster High (Escola de Monstros, em tradução livre) e Time Adventure (Hora da Aventura, em tradução livre). Fica então comprovado o novo favoritismo infantil por aqueles que eram antes os antagonistas das histórias, esquecendo-se das princesas perfumadas e dos heróis fortões.

Segundo Bauman, “nossa era não permite que as rotinas, os cotidianos e as tradições perpetuem”. O sociólogo também afirma que o moderno de hoje não é mais moderno que o moderno de ontem. (BAUMAN 2001) Portanto, a mudança da referência dos protagonistas das histórias infantis não está sendo modificada pela primeira vez.

Walt Disney, no início do século passado, apropriou-se dos contos de Andersen e dos Irmãos Grim e modificou-os com o objetivo de atrair o público infantil, e moldar as histórias ao contexto de politicamente correto em que viviam, com um novo conto de fadas[1]. É nesse momento que a vovozinha da Chapeuzinho Vermelho deixa de ser devorada como um banquete e ter seu sangue bebido como vinho pelo lobo e pela própria Chapeuzinho, que depois do jantar faz striptease para o lobo, e passa a ser salva por um corajoso lenhador que retira a vovó viva da barriga do lobo. Deixava-se para trás as histórias criadas em sua maioria na Europa da Idade Média, para o entretenimento de adultos, inspiradas em psicodramas da infância, recheadas de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas tendo a fome e a mortalidade infantil como inspiração (WARNER apud BELGA, 2010).

No contexto atual o imperfeito é permitido. Com a difusão, mais uma vez por meio da globalização, de literaturas como “Sombra e o mal nos contos de fadas” de Marie-Louise von Franz, onde o lado obscuro que todo indivíduo possui mas muitas vezes desconhece é apresentado e exposto, a sociedade compreende e aceita que uma ruptura dessa identidade de utopia moral é necessária. Nesse ponto enquadra-se mais uma fez o conceito de modernidade líquida sugerido por Bauman.

O fator transformação de identidade não é o único que influencia na modificação do protagonista das histórias infantis. A economia gerada pela cultura de massa é forte atenuante desse rompimento com o(a) mocinho(a) e aproximação do vilão(a). Essa tese pode ser comprovada se voltar à saga Crepúsculo e entender que ela seguiu uma linha de sagas que deu certo com Senhor dos Anéis e Harry Potter. O mercado de literatura infanto-juvenil comprou a ideia das sagas, logo, as editoras encontraram um novo caminho que levaria seus livros para o mundo inteiro e apostou nele. Seguindo o sucesso que os vampiros e lobisomens fizeram com os adolescentes, a Mattel, fabricante de brinquedos, desenvolveu um produto semelhante para o público infantil e lançou a linha de bonecas Monster High cujas personagens são vampiras, múmias, lobisomens, etc que logo ganhou as telas de TVs. O sucesso de Monster High por sua vez, engatilhou mais uma empreitada da Mattel, a criação da nova linha de bonecas e desenho animado Ever After High (Sempre Depois da escola, em tradução livre).

Ever After High surge mais uma vez para romper a identidade recém-criada pelo público infantil, reafirmando a hipervelocidade da cultura líquida de Bauman, ao desmembrar novamente os contos de fadas, dessa vez, colocando como personagens centrais os possíveis filhos das protagonistas dos contos de fadas politicamente corretos. 

A globalização influencia intensamente o cenário infantil e colabora para a constante modificação dos personagens centrais das histórias, filmes, desenhos e brincadeiras. Há claro, a interferência de fatores históricos que não podem ser negados, mas as características da globalização (velocidade, desapego, consumismo...) favorecem muito esse processo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DIGITAIS

 

BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 2001.

FRANZ, M-L Von. Sombra e o Mal nos Contos de Fada. Paulus. 2002.

SANTOS, M. Por uma globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro. Record, 2001.

WARNER apud BELGA. O lado obscuro dos contos de fadas. 2010. Disponível em   http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/origem-sangrenta-contos-fadas-567124.shtml, acesso em 25/09/2014 às 14h09min.

WIKIPÉDIA. Contos de Fadas. 2014. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Fada acesso em 25/09/2014 às 15h02min.

 

[1] Fada vem do latim fatum: fatalidade destino, fardo - WIKIPEDIA, 2014

 

 

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