Domingo, 22 de Maio de 2022

Thiane Ávila

Estudante de comunicação social, já atuou como professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Seu gosto pela escrita foi percebido e trabalhado desde muito cedo, levando-a a, hoje em dia, manter um blog pessoal com postagens regulares de textos autorais.

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À procura



 

Estamos à procura do que não achar. Uma beleza desconhecida que não existe pelo excesso de perfeição. A idealização nostálgica do que não se viveu ou viu. Comeu ou sentiu. A perfeição da inexistência.

 

Um cacto rodeado de rosas vermelhas que veem azul e cheiram vida. Antíteses que se congraçam pela completude de faltar realidade. Metáfora real da falta de sentido e do amor à morte em vida. A vida que é morte pela respiração ausente de seu próprio exagero. Completude de faltas.

 

Um amor banhado à respiração de cintilância oblíqua e formato arredondado. Melhor que nomeá-lo é aludí-lo. Transformá-lo na indecência da mais serena ideologia encarnada no que está equivocadamente putrefato no pensamento. Amortizado pela desistência.

 

Uma mão calejada de pedras macias e coloridas. Acariciada pela leveza de uma tempestade amortecida pela inocência de quem a recebe. A criança que espera ansiosa pelo banho de chuva da primavera. Pela volta prometida da morte. A viagem usada para iludir. A maldade da metáfora que faz esperar. 

 

Braços cansados de abanar adeuses, rodeados por lembranças psíquicas de uma concretude indiscutível. Sentinela da liberdade dos abraços. Um carinho recitado pela orquestra das poesias dos amantes. Amor concertado por fim.

 

Ansiedade abastada de jardins mortos pela insistência da ausência de passos. A exiguidade de vontade que mortifica as primazias guarnecidas de enternecimentos. Preenchidas generosamente com doses da melhor espumante, a brindada pelas aves que gorjeiam uma presença que falta e que, por esse motivo, é arrebatadora.

 

Os destroços inexistentes da singeleza de uma beleza de iniquidades. Apontando, pois, a preferência dos opostos para encontrar o real sentido da própria existência. Sendo oposto para ser verdadeiro. De restos para a sujeição ao desencaixe. À desatadura das descobertas e verdades.

 

A suave independência de não ser. A viril escolha de não escolher. A procura incessante pela desnecessidade de qualquer apontamento que requeira perda. Que cheire à corrupção de opções. Que apodere qualquer coisa que não seja a liberdade da procura por nada que exista.

 

THIANE ÁVILA.












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