Quinta-Feira, 25 de Abril de 2019

Ricardo Di Carlo

Ricardo Di Carlo é ator profissional em Teatro e Cinema. Possui Especialização em Metodologia no Ensino de Artes - Eixo Temático: Processos e Práticas no Ensino do Teatro. Formou-se em Arte-Dramática e em Direção de Produção Cultural. É ator, diretor, professor, pesquisador, produtor e preparador de elenco em cinema e teatro. Como pesquisador dedica-se a estudos acadêmicos na área de formação do ator, teatro e arte-educação. Nos palcos, interpretou personagens célebres, Édipo, de Édipo Rei, de Sófocles; Puck, de O Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, e Bibelot, de Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues. No cinema, protagonizou Kissing Death, direção de Michelle Barllet; Morte Súbita, com sua direção; e Poderosa Adoração, filme de Leandro Cavalheiro.

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Análise Literária de "Medeia" de Eurípides



Imagem: "Medea" Anselm Feuerbach (1870)

 

Medeia, tragédia de origem grega, escrita por Eurípedes, tem foco narrativo no personagem de Medeia, segundo HIRATA (1991, p.11) tudo gira em torno da personagem Medeia, pois as personagens que atuam apresentam e acentuam as facetas de sua personalidade e através de suas interferências surgem novas revelações. A referida autora ainda assevera que “o próprio mito oferece recursos para o enriquecimento da tragédia”, uma vez que, “a personalidade violenta de Medeia é arraigada na cultura bárbara e mais elementar do seu país de origem”.

Na peça, que começa com o prólogo do personagem Ama – situa-se em qual momento do mito a peça se passa – conta-se que Medeia já foi abandonada por Jasão, com quem era casada, homem pelo qual matou seu irmão Absirtes, e depois Pélias, o usurpador do trono de Jasão, na cidade de Iolco.  Estes atos foram praticados por Medeia em nome de sua paixão por Jasão. E por conta disso, ambos estavam exilados em Corinto.

Jasão que não aceita sua condição de estrangeiro exilado, busca o leito da filha do rei de Corinto - Glauce, para assim reposicionar-se atingindo ascensão social. Medeia agora havia perdido seu esposo para a princesa e está prestes a ser expulsa de Corinto junto dos filhos, que teve com Jasão. Ainda no prólogo, nos são apresentadas as características da personagem título, seu temperamento vingativo, e o temor da Ama pelos filhos de Medeia e Jasão. 

O recorte temporal do mito contemplado dramaticamente, isto é, factualmente na peça, compreende o período da execução da vingança de Medeia. Segundo HIRATA (1991, p. 13-14) é importante ressaltar fatores que intensificam o seu desejo de vingança, a heroína esta posicionada numa sociedade como uma mulher da Antiguidade, período onde o sucesso do “eu feminino” dependia do casamento, ou seja, sem o marido, Medeia que já havia negado e traído sua família, matado em nome de Jasão, deixado sua pátria, tido o exílio como única alternativa para viver sua paixão, agora perde seu único alicerce, o casamento, portanto encontra-se imersa no sentimento de destruição.

Nesse contexto Medeia pensa em vingança, a tragédia de Jasão, provocada por ela que é essencialmente vingativa, e não descansará até alcançar a concretude de sua vingança: a total queda de Jasão. O que de fato ocorre ao fim da peça, Medeia para vingar-se do ex-esposo, mata seus filhos e Glauce.

É possível constatar que Medeia, usa um discurso que evidencia a condição de mulher, que expõe o que as mulheres sentiam. Pode-se pensar que Eurípedes usa essa fala para expor como toda mulher é má e odiosa frente a sua realidade e que procura assim desmantelar a ordem estabelecida no mundo grego. Essa leitura só é possível, caso entenda-se Medeia como uma figura humana. Mas tudo leva a crer que Medeia, age na peça de Eurípedes, medindo cada fala, e literalmente falando o que se queria ouvir, nos momentos que ela estabelece seus diálogos. Ao falar com Creonte, Medeia o manipula e consegue mais tempo; o necessário para realizar sua vingança. Ao falar com Jasão ela consegue fazê-lo acreditar que crê nos seus motivos, para que seus filhos possam, então, efetivar inocentemente a morte de Creonte e Glauce – a filha de Creonte. Enfim, nota-se que Medeia não estava preocupada com a misoginia. Ou Eurípedes, em denunciar a mulher grega como malévola. Mais uma vez, Medeia falava o que se queria ouvir.

Medeia, como ela própria diz, é descendente do Deus Sol. Ela tem divindade em si; não fala ou age como mulher, ou um ser humano. O próprio coro expõe isso, e leva à cena a voz de humanidade (do cidadão grego, da mulher grega assustada com as idéias da estrangeira bárbara). Eis que o coro representa a voz humana, e clama por uma humanidade que já está deixando Medeia. A heroína, não tem dilemas humanos, mas conversa com aqueles que os tem, estes são representados pelo coro. 

Medeia não teme os deuses, pois reconhece sua própria divindade. E sabe que a morte de suas crianças representa um fato sobre-humano que lhe proporciona vingança e abandono de valores humanos.

 

REFERÊNCIAS BINBLIOGRÁFICAS

EURÍPEDES. Medéia. Tradução e organização Flávio Ribeiro de Oliveira. Editora: Odysseus. São Paulo, 2006.

HIRATA, Filomena Yoshie (1991) ‘Medeia: uma apresentação’, em TORRANO, João Antonio Alves (1991) Eurípides – Medeia. Editora: Hucitec. São Paulo, 1991, pp. 11-23.

 

 










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