Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019

Andrea Paiva

Andrea Paiva é Pedagoga e Pós-Graduanda em Fundamentos de uma Educação para o Pensar pela PUC-SP. Apaixonada por questões filosóficas e estudos do Ser, Andrea Paiva é poetisa e autora de livros. Atualmente é pesquisadora na área da educação através do Grupo de Pesquisa e Produção do Conhecimento - Cátedra Joel Martins PUC-SP.

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Aos escritores de gaveta



Ontem um querido amigo me levou a refletir sobre crítica literária. Nossa conversa me fez pensar a respeito dos escritores de gaveta. Aqueles que escrevem e não divulgam seus escritos.

Quanto a mim, não sei muito bem o motivo pelo qual escrevo. Acho que escrevo pela estética do espanto, pela beleza do estranho ou pela descoberta desse tal de “eu” que dizem que sou.

Talvez eu também escreva e partilhe com vocês, porque, se não o faço, não consigo dar conta do grito entalado, da dor que sufoca ou da alegria que invade meu peito. Escrever é terapêutico.

Ser reconhecido pelo que fazemos, independente de qual seja este fazer, é uma das melhores sensações que podemos sentir. Mas não é isso que deve mover nossas ações.

Conheço pessoas que vivem somente pela aprovação alheia, na roupa que veste, no modo de falar ou nas coisas que escreve. Contudo, nada nos é familiar se não fizer parte de nossa própria experiência, seja ela real ou imagética. Portanto, somente as reconheço porque também já fui assim, e, por vezes, vejo-me na mesma situação.

É que somos ensinamos desde a pré-escola que “agradar é preciso”. Do contrário? Nota zero! Como se a nota que nos é atribuída fizesse jus ao valor real de nossas ações.

A busca pela nota dez se deve ao ensino tradicional que, infelizmente, continua perpetuando as ações pedagógicas em nosso país.

Quanto a questão da escrita, um texto “limpo” e conciso é fundamental, mas não é o essencial. Muitos acharão estranho o que digo, ainda mais vindo de uma pedagoga. É que penso que incentivar a escrita, seja ela como for, é o mais importante.

Escrever “bem” é um exercício constante, não há término. E se há lugar para se chegar, chega-se com o tempo. Muitas críticas e apontamentos no início dessa empreitada, só servem para inibir o desenvolvimento da escrita e a organização do pensamento.

Quanto a clareza do texto? Penso do mesmo modo. As entrelinhas são as que movem a busca. O não dizer, e que tanto nos provoca, é mais que fundamental. Principalmente para os jovens que esperam receber tudo mastigado. Dosar é importante, mas há que se ensinar a prática da reflexão.

Conheço amigos que escrevem textos maravilhosos, mas por conta do ego e medo da crítica, os deixam na gaveta.

Partilhar ideias é essencialmente divino e potencialmente humano. E quando descobrimos que além de possuir fala a gente fala, deixamos de nos preocupar com a crítica e passamos a partilhar nossas reflexões.

Há quem diga, por exemplo, que os textos de Clarice Lispector, assim como textos de fenomenólogos, partem do nada e chegam a lugar algum. Oras, reflita diante do texto! Vá além do que você consegue enxergar e faça a sua própria síntese. Mas não diga bobagens por preguiça de refletir.

Clarice Lispector e sua fenomenologia são exemplos de que o texto atingirá quem tiver que atingir. Portanto, se possível, deixe seu ego na caixinha e divulgue com a alma, não em busca de aprovação. Estamos carentes de pessoas assim: alheia às criticas.

 

Por Andrea Paiva

contato@andreapaiva.com

 

 










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