Segunda-Feira, 30 de Março de 2020

Victor Barboza

Victor Barboza é fundador da GFC - Gestão Financeira Criativa e atua com Educação Financeira e Gestão Financeira de pequenos negócios

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Dicas para seu negócio sobreviver aos momentos de crise



Mais do que uma pandemia, o Coronavírus vem desencadeando uma série de impactos, não só relacionados à saúde, como também na economia, nos negócios e na vida das pessoas. Isto acaba sendo motivo de preocupação para muitas pessoas e para os negócios.

Tudo começou na cidade Wuhan, na China. O primeiro caso do Covid-19 foi justamente no país com a 2ª maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA. Não só isso, no país com a maior população mundial. Por conta do mundo globalizado em que vivemos, no qual pessoas viajam pelo mundo o tempo todo, seja a trabalho ou a turismo, era questão de tempo, caso não fosse controlado, que o vírus se expandisse para todo o planeta.

Da China, o vírus foi se “deslocando” para países próximos, como Coréia do Sul e Japão. Em questão de dias, os casos foram surgindo em todos os continentes. O crescimento exponencial dos casos, as mortes e a preocupação fizeram com que alguns países tivessem que tomar medidas mais drásticas, como suspensão de voos, fechamento das fronteiras e fechamento de estabelecimentos comerciais.

Impactos na Economia Mundial

O primeiro grande impacto de ordem econômica que o Coronavírus trouxe foi a redução no crescimento da China. Com a paralisação das indústrias e redução no consumo, as indústrias tiveram fortes quedas. De acordo com o governo chinês, a indústria despencou 13,5% nos dois primeiros meses do ano, em comparação com o ano passado. Trata-se do pior resultado desde 1990.

Com os impactos também sentidos pelos demais países, não só o crescimento chinês teve redução nas expectativas de crescimento, como também o crescimento mundial. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), existem dois cenários. No “menos pior”, no qual espera-se que o pico da Covid-19 seja superado ainda neste semestre, o crescimento mundial seria de 2,4%, meio ponto percentual a menos do que a projeção feita em novembro. Já no pior cenário, no qual a doença se intensifica, o crescimento da economia mundial deve cair para 1,5% neste ano.

Ou seja, além de problemas que vinham desestabilizando a economia mundial, como a saída do Reino Unido da União Europeia, a Guerra Comercial entre China e EUA, agora temos mais este fator para desestabilizar todas as bases.

Este cenário faz com que diversas agências de classificação de risco admitirem uma nova recessão chegando. O colapso na demanda, junto a uma queda os fluxos de caixa e à guerra do petróleo sinalizam que vários setores começarão a sofrer calotes.

Impactos no Brasil

Superamos recentemente uma crise econômica interna. Porém, apesar de sair da crise, o Brasil ainda está longe de um cenário ideal, visto que possui sérios problemas com o seu orçamento. Medidas e discussões vinham sido discutidas nos últimos governos, como o Teto dos Gastos, Reforme Trabalhista, Reforma da Previdência e uma possível Reforma Fiscal.

Porém, além de entraves políticos, o Coronavírus fez a luz de emergência voltar a ficar acesa. Com a proliferação dos casos da doença, várias medidas de precaução foram e continuam sendo tomadas, como o cancelamento de eventos, suspensão das aulas, redução no número de voos e alteração nos horários de funcionamento de vários estabelecimentos. Em muitas cidades, apenas comércios essenciais, como farmácias, postos de gasolina e supermercados podem ficar abertos.

Muitas empresas passaram a sugerir o Home Office para seus funcionários e as pessoas passaram a ficar mais em casa, diminuindo o movimento nos shoppings, comércios e demais estabelecimentos.

Dessa forma, empresas relacionadas ao turismo, como empresas aéreas, hotéis, pousadas e agências de turismo estão vendo a demanda diminuir de uma forma acelerada. Lojistas e comerciantes estão vendo o movimento reduzir de uma forma assustadora, consequentemente impactando nas vendas. Restaurantes e bares estão tendo que se inovar e oferecer opções de entrega ou apenas de retirada.

E até quando isso vai? Infelizmente não dá para saber. Muitos negócios já começaram a sentir os impactos e logo eles podem chegar na sua empresa. Por isso, é importante que você passe a tomar algumas medidas para que o seu negócio supere este cenário desafiador:

1. É hora de se planejar

O planejamento deve ser feito em qualquer cenário, seja de crise ou seja de crescimento. Porém, nestas horas de crises, é o momento mais imprescindível para termos um plano a ser seguido. Faça um planejamento estratégico e um orçamento, considerando alguns cenários: pessimista, realista e otimista. Conforme as coisas forem andando, veja qual destes cenários você deve seguir.

2. Fique atento às oportunidades

Os cinco grandes bancos anunciaram que pessoas físicas e pequenos e médios negócios com dívidas terão seus prazos de vencimento prorrogados por 60 dias. O governo também anunciou medidas para facilitar a negociação de dívidas de famílias e empresas consideradas boas pagadoras, liberação de crédito, adiamento do pagamento do Simples Nacional e do FGTS em três meses. Fique atento a medidas como estas e verifique se valem a pena para o seu negócio.

O planejamento nestes casos é fundamental. Caso você opte por deixar para pagar estas contas mais para frente, busque deixar o dinheiro equivalente a cada mês aplicado (de preferência em algum investimento mais conservador, visto o curto prazo e a volatilidade da renda variável), para que você não corra o risco de não tê-lo lá na frente e para que você tenha um pouco de rendimento.

3. Controle os gastos

Conforme vimos, boa parte dos negócios começaram a sofrer fortes impactos decorrentes do Coronavírus e estes podem se agravar com uma recessão global. No cenário de recessão, aumenta-se o número de desempregados, o consumo cai, derrubando a produção. Ou seja, é um momento em que muitos negócios veem seu faturamento caindo drasticamente. Nestes casos, além de ter um orçamento bem elaborado, buscar um controle de gastos eficientes é fundamental.

Uma possibilidade de controle de gastos é em relação às contas de água, eletricidade e telefonia. As concessionárias e operadoras possibilitam a suspensão temporária dos serviços. No caso das operadoras de internet e telefone, não há nenhuma taxa. No caso de eletricidade e água, as concessionárias podem cobrar taxas para ligar e desligar. Nestes casos, é importante fazer os cálculos para ver se compensa.

Vale também ficar atento às medidas que o governo está planejando fazer em relação aos salários, visto que estes são responsáveis por uma boa parte do orçamento das empresas. Encontrar uma forma que não prejudique o negócio nem os funcionários, neste momento tão delicado, é fundamental.

4. Fortaleça a Reserva de Emergências

Muita gente acaba deixando de lado a tal da Reserva de Emergências, achando que dá para se virar “aos trancos e barrancos”. Porém, em cenários de incerteza, nunca se sabe como serão as vendas de amanhã e qual será o nível de inadimplência. Por isso, independente do seu negócio estar sentido ou não reflexos do Coronavírus, busque começar ou reforçar a reserva de emergência. Vá juntando um montante (algo em torno de 6 a 12 meses dos gastos básicos do negócio) em alguma aplicação mais conservadora e de boa liquidez.

5. Tenha estratégias para amenizar as quedas

Visto que muita gente fica em casa, se você tiver a possibilidade de utilizar a internet para continuar trabalhando e vendendo, junte seus esforços para isso. É a hora de restaurantes investirem nos deliverys, lojas investirem nas vendas em e-commerce e redes sociais, prestadores de serviços fazerem reuniões online e escolas investirem em aulas de EaD. Analise e elabore também promoções e campanhas que façam com que seus clientes não deixem de comprar o seu produto ou serviço. Nessas horas, a criatividade é muito bem-vinda.

6. Um por todos e todos por um

A Economia é uma cadeia que depende de todos. Nestes cenários mais delicados, é importante que cada um faça sua parte, com consumo consciente, valorizando empresas locais, a economia criativa e as marcas que você mais admira. Se houver esta “união”, os impactos podem ser bem menores.

7. Não se desespere e aprenda

Crises são cíclicas e de tempos em tempos aparecem. Apesar de parecer que elas nunca acabam, quando estamos dentro delas, elas passam e as coisas, uma hora, voltarão ao normal. Nestas horas, seguir os passos anteriores, não se desesperar e aprender com esta experiência para saber lidar melhor com futuras crises é o melhor caminho a ser seguido.










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