Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Thiane Ávila

Estudante de comunicação social, já atuou como professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Seu gosto pela escrita foi percebido e trabalhado desde muito cedo, levando-a a, hoje em dia, manter um blog pessoal com postagens regulares de textos autorais.

Ver todas as colunas

Estamos sempre no fim, e não o contrário



Par é uma das permutações possíveis de "pra". É um devir de circunstâncias que se estabelecem ao longo da vida, das passagens, dos desencontros. A cada "pra", um objeto de estar. Uma direção indicial de uma semiótica de segunda ordem. De um mito constituído apenas de verdades. Ao final, a existência já plenifica a própria pontaria, conferindo sentido ao alvo mais do que sua própria inferência real. Concordo com McLuhan quando ele afirma ser a ferramenta um mero instrumento para fazer nascer as possibilidades. Em vias de fato, o amor é menos importante do que tudo aquilo que ele faz nascer consigo. As implicações são o tátil, o real. Qualquer coisa é extensão de nós mesmos. Basta observar.

Nos discursos enrustidos que faço valer das minhas próprias palavras, tendo a obscurecer os sentidos para torna-los gritos abafados de uma necessidade ensandecida de serem ouvidos. Prefiro, talvez, a possibilidade do desabotoamento, da nostalgia de algo que presumo ter acontecido, mas que é metalinguagem de vida. Explico, pois, meus motivos pela simples definição de ser. Tautológica ou prolixamente, estamos presos às construções vazias e de paredes cujos contornos nunca se estabelecem de fato na vida. De certeza, nem a morte, já que morremos ao viver a consciência do fim. A meu ver, o final é uma perspectiva engraçada, um extremismo de começo. Uma piada sobre as mudanças de trajeto. Estamos sempre no fim, e não o contrário.

Por hora, não se trata de pessimismo, ambiguidade, constatação ou omissão da história, mas apenas uma necessidade real de liquidar as palavras em intenções desconhecidas. Sou um aforismo real sobre minhas incertezas. Vomito solidão ao confirmar a inaturalidade das próprias maneiras que desenvolvi para me comunicar. As palavras, por assim dizer, são mais do que a fuga da morte, mas são a fuga da vida. Ou o seu extremo. Dito de outra forma, sou o extremo desencaixado de uma identificação nada factual com as idealizações míticas e seu excesso de justificativa naturalizado. Por desnaturalizar, problematizo até o meu problematizar. Não caibo em mim. Incomodo.

No entanto, é no silêncio que muitas vezes contesto. É no olhar que escuto os principais barulhos de quem nada ou muito diz. Experimenta atentar-se às piscadas, ao tremer do lábio superior e à intensidade abafada do sorriso. A forma de rir é um mapa sobre a segurança da graça. Sobre a sensação de pertencimento. Amo aqueles que não riem quando todos estão rindo. Me apego aos que hesitam ao abraçar. Gosto de transbordar para os lados mais gozados e completos de si. Na verdade, há sempre reflexos do que desconhecemos. Atentemos à riqueza de desaprender, pois. Nosso processo discursivo de armazenamento de informação só é possível mediante o desapego, seja ele de informações, de lembranças ou de sorrisos. 

No fim das contas, me conhece aquele que aqui me lê. Talvez minha vida personifique o ditado sobre ser um livro aberto pelas palavras embaralhadas. Sinceramente, sou um quebra-cabeça muito simples. Ridiculamente fácil de decifrar, basta me ler nas palavras. Basta usar as palavras para me desler.

 

THIANE ÁVILA.












Dogus Comunicação

Sobre a Dogus Comunicação  |   Política de Privacidade  |   Blog  |   Receba Novidades  |   Acesse pelo Celular

Melhor Visualizado em 1200x900 - © Copyright 2007 - 2022, Dogus Comunicação. Todos os direitos reservados.