Sábado, 24 de Julho de 2021

marcia goncalves dos reis

Márcia Reis é professora de Língua portuguesa e Literatura. Escreve poesia para o site Recanto das Letras.

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Futebol e literatura



O futebol é um dos esportes mais amados e praticados no Brasil e em outros países. Chegou por aqui em 1895, pelas mãos dos ingleses. Diz-se que a primeira bola de futebol do país foi trazida em 1894 pelo paulista Charles William Miller. A prática era restrita à elite do pais, sendo mais tarde popularizado.

Mas o que falar de futebol e literatura? Será possível associarmos essas duas artes? Alguns poderão torcer o nariz ao chamar futebol de arte, mas como não se admirar com lances de grandes jogadores como Garrincha ou Pelé?

Podemos citar alguns exemplos de escritores que usaram o futebol como tema nas suas criações literárias. O escritor Mário Filho, criador do “Jornal dos Sports, escreveu um clássico da nossa literatura: “O negro no futebol brasileiro”. O livro é o maior clássico futebolístico da literatura brasileira e explica o processo de entrada do negro em um esporte originalmente branco, investigando os primeiros movimentos de miscigenação que aconteceram nos clubes cariocas.  Armando Nogueira foi responsável por uma tríade aparentemente impossível de existir: o enlace futebol-literatura-televisão. Suas intervenções no “Jornal Nacional” foram antológicas, em momentos especiais, como nas nossas grandes conquistas da Copa do Mundo.  Febre de Bola (1992) — Nick Hornby, livro fundamental para quem nutre a paixão pelo futebol e, principalmente, por um clube de coração. Futebol ao Sol e à Sombra (1995) — Eduardo Galeano, o escritor uruguaio conta a história do futebol com um olhar muito particular e curioso. 

A poesia também se faz presente, como no poema “Meu coração no México”, de Carlos Drummond de Andrade, “O futebol brasileiro”, de João Cabral de Melo Neto, “Círculo vicioso”, de Paulo Mendes Campos, dentre outros.

Assim como alguns escritores usaram o futebol nas suas criações poéticas, outros já tinham uma rejeição declarada ao referido tema.

No início do século 20, alguns escritores vestiram a camisa da crítica árdua ao esporte, como Lima Barreto, que via no esporte um desperdício de dinheiro público e que só gerava brigas. Graciliano Ramos “profetizou”: “Futebol é fogo de palha”, na crônica Traços a Esmo. O autor que, em Vidas secas, descreveu o sertão do Brasil dizia que o país não tinha vocação para o esporte e sim para a rasteira.

Enfim, como em que qualquer área há admiradores e críticos.

 












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