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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

Ângela Schiezari Garcia

Educadora física; fisioterapeuta; osteopata;
radiestesista genética; microfisioterapia em formação.
Terapeuta de self-healing,leitura biológica, pós-graduada em ginástica postural corretiva,em fisiologia do exercício e em personal training.
Estágios:
* Laboratório do Comportamento Motor da Escola de Educação Física e Esportes da USP.
* Condicionamento Físico e Reabilitação Cardiovascular na Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do INCOR HC – FMUSP.
Escritora, com livro de poesias "A Real Dualidade", publicado em 2007.

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Letras que dançam no papel.



Tive a feliz oportunidade de participar do workshop promovido pelo Departamento de Educação da Prefeitura da Estância Turística de São Roque, em parceria com o Instituto ABCD, com o tema “Dislexia e transtornos de Aprendizagem”, realizado no anfiteatro da Escola “Barão de Piratininga”, no dia 22 de agosto de 2012, das 8h00 às 12h00, com a presença de inúmeros participantes.

Os professores Alfredo e Rose, do Instituto ABCD, gabaritados no assunto focaram aspectos relevantes relacionados à Educação, tema interessante não apenas para educadores, como para psicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos, educadores físicos, fisioterapeutas e todas as pessoas que de certa forma estão preocupadas com o bem estar e sentem sua responsabilidade com o bem social.

Na primeira etapa da apresentação, eles nos transmitiram informações relevantes a respeito do trabalho multidisciplinar do Instituto, seus objetivos e aspectos relacionados ao aprendizado, a forma de sua efetivação e as funções do cérebro humano, por meio da neurobiologia dos lobos: occiptal (primeiro lobo a ser desenvolvido, responsável pela visão), temporal (responsável pela audição, aprendizado, memória e emoções), parietal (responsável pelas sensações, percepções e imagem corporal) e frontal (se desenvolve até 18 anos de idade, responsável pelo planejamento, execução de ações, controle da atenção e do movimento).

Segundo os pedagogos, o ritmo é algo imprescindível para o desenvolvimento integral da criança e para a organização e elaboração de ideias, que se completam por volta de 11 a 12 anos de idade.

Eles citaram os fatores internos (contextualização da informação, motivação, abordagem multissensorial) e externos (sono, fome, ansiedade, medo, dor), que influenciam a aprendizagem e detalharam os principais transtornos com depoimentos de pacientes e alunos.

Dados estatísticos nos mostram que 60% das crianças não apresentam dificuldades de aprendizagem, 35% demonstram alguma dificuldade e 4 a 6% apresentam algum tipo de transtorno, que irá acompanhá-las pelo resto da vida. Para elas, a dificuldade em aprender academicamente é grande, apesar da inteligência acima da média em muitos casos.

Os palestrantes nos apresentaram os sintomas cognitivos e psicoafetivos que impactam negativamente o processo de aprendizagem formal e paralelamente ilustraram a teoria proposta, com cenas do filme indiano, de Aamir Khan (2007) “Como estrelas na terra”, o qual eu recomendo como uma fonte de estudo a respeito.

Relataram os principais sinais, entre eles a dificuldade no aprendizado das letras, a velocidade lenta e não fluente da compreensão oral, geralmente sem entonação e sem pontuação. Portanto, deixaram dicas sobre quais aspectos importantes o professor deve observar em sala de aula e como ele pode ajudar seu aluno a otimizar o aprendizado e a receber paralelamente o apoio familiar.

Além da dislexia, outros transtornos como a disgrafia (capacidade de realizar cópia, ou sequência de letras em palavras, alterações na caligrafia), a disortografia (escrita marcada por erros ortográficos) foram detalhados, inclusive com alguns relatos de casos expostos pelas próprias professoras.

O que mais me marcou de fato foram as cenas do filme cuidadosamente escolhidas, pela sensibilidade do autor (também homenageado na Folha de S.Paulo) em retratar a ignorância e as dificuldades do professor ao lidar com a dislexia, o pânico do aluno ao saber que não é compreendido e aceito, levando aos comportamentos de baixa autoestima.

É incrível a incoerência dos disléxicos, dotados de tamanha inteligência, que tal como grandes arquitetos têm a capacidade de movimentar objetos, esculpir belas obras de arte “no ar”, construir imagens fantásticas, trabalhar com a imaginação de forma criativa e sensível, compreender e lidar com as palavras e observar as letras que, como bailarinas, “dançam no papel”.  São pessoas em conflito, divididas entre seu enorme talento e sensibilidade e confinadas em suas limitações.   Grandes nomes da história são alguns exemplos de disléxicos, nas artes, na política, nas ciências: Albert Einstein, Auguste Rodin, Charles Darwin, Leonardo Da Vinci, Vincent Van Gogh, Walt Disney, Winston Churchill, Steve Jobs.

O processo de ensino-aprendizagem deve ser dinâmico, enriquecendo-se de inúmeras formas didáticas, lúdicas, artísticas para que nossos educandos especiais demonstrem suas potencialidades e se integrem à sociedade, vivenciando-a com equilíbrio, cidadania, compreensão e respeito.

Agradeço pelo esclarecimento e pela oportunidade de compreender cada vez melhor o desenvolvimento humano e algumas possíveis alterações, por meio da aprendizagem constante e da interação de pessoas afins.

Acredito que possamos aprender muito mais com as diferenças do que com as mesmices.  É no convívio com os diferentes que temos a oportunidade de comparação, confronto, melhoria, troca e constante aprendizagem. 

 

 

 

 












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