Sábado, 21 de Setembro de 2019

Lucas Rodacoski

Lucas Rodacoski é professor universitário, formado em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi (2009), com extensão universitária em Jornalismo Gastronômico pelo Senac (2011) e pós-graduado em Gastronomia: História e Cultura, também pelo Senac (2013).

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Margarina e arma de fogo



O que a margarina e a arma de fogo têm em comum?

29 de agosto. O chef Henrique Fogaça, jurado do programa (sabe se lá porque sucesso de audiência) MasterChef, publicou uma foto em sua rede social apontando uma arma para seus funcionários dentro da cozinha de seu restaurante.

8 de setembro. O mesmo chef em entrevista ao crítico gastronômico Júlio Bernardo, na TV UOL (link abaixo), afirmou que em sua cozinha não entra margarina.

Dois fatos, uma constatação: “chefs, chefinhos e chefetes” (como diz o sociólogo Carlos Alberto Dória) assumem a responsabilidade com a origem e a veracidade dos alimentos, mas tratam a brigada como cortes em brunoise: de qualquer jeito.

Na cozinha de Fogaça não entra margarina, mas entra arma de fogo.

Minha aversão aos produtos ultraprocessados me coloca longe de pratos elaborados com tais ingredientes, assim como minha aversão à violência me distancia de qualquer coisa que faça a mínima alusão a ela.

Henrique Fogaça tentou explicar o inexplicado, como apontou o site Catraca Livre (link abaixo). Acusou a mídia de sensacionalismo. Justificou alertando que na cozinha é preciso atenção. De tudo achou cômico. Tentou higienizar as mãos, mas só as sujou mais.

Novamente o sábio Dória afirma, em Formação da Culinária Brasileira (Três Estrelas, 2014), que “a excelência da cozinha não depende de aspectos extraculinários”. Ou seja, Fogaça, abaixe a arma.

O silêncio que se seguiu ao post nas redes sociais – silêncio por quase nenhuma indignação – só evidencia o que já é explícito nas cozinhas: as cozinhas são territórios sem leis onde impera condutas militares. Quem já trabalhou em uma cozinha sabe muito bem do que eu estou falando.

A patrulha do “só foi uma brincadeira” vai dizer que não tenho “humor” e que tudo é uma questão de “opinião”. Proponho a essas pessoas passarem um mês em um restaurante: um mês na chapa quente em calor de 50ºC; um mês de rotina 6x1 e carga horária de 10-12 horas; um mês de limpeza pesada em piso, coifas, grelhas e não nos esqueçamos de descongelar o freezer, mas não é aquela limpeza que se faz em casa, aqui (no restaurante) bate a Vigilância Sanitária; um mês de filé mignon na manteiga clarificada para cliente e coxão duro em molho pronto pra você no almoço das 10 da manhã; um mês de cortes nos dedos e queimaduras nas mãos; um mês sem finais de semanas e, se não for agosto, sem feriado; um mês sem convívio social; um mês aspirando fumaça, segurando xixi e aturando xingo; ao término desse mês eu te desafio, ainda, a receber sua merreca sem lagrimejar; e coroa-se a tudo isso uma arma, foda-se se era de brinquedo, apontada para você.

Afinal, quem é o cozinheiro na pirâmide das grandes profissões? É apenas a pessoa que te sacia o apetite e ainda leva esporro porque colocou alho quando você pediu sem, como se seu pedido fosse o único entre dezenas que se acumulam.

Afirmarão ainda que a espingarda de décadas passadas nem sequer funciona. Queridinhos, a apologia ao crime se escancara. A simbologia do ato é explícita e danosa.


Os chefs, quase de maneira geral, tratam sua brigada de maneira inversamente proporcional ao que tratam o chuchu de seus jardins: o primeiro desqualificam, o segundo endeusam.

Mais respeito pelos cozinheiros e pelas cozinheiras!

 

Catraca Livre: https://catracalivre.com.br/geral/inusitado/indicacao/depois-de-polemica-henrique-fogaca-explica-foto-em-que-aponta-arma-para-funcionario/

TV UOL: 

http://tvuol.uol.com.br/video/faco-merchan-mas-margarina-nao-entra-na-minha-cozinha-diz-fogaca-0402CD9C3072E4A95326 

 










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