Sábado, 21 de Setembro de 2019

Flaviana Souza

Formada em Publicidade e Propaganda (UNIBERO) e Eventos (ANHEMBI MORUMBI); estudante de MBA de Criatividade e Inovação no Ambiente Empresarial (UNICESUMAR) e de pós-graduação em Gestão Pública (FAEL); com pós-graduação em Gestão Cultural (Senac), Metodologia do Ensino de Artes (Uninter) e Educação Inclusiva com ênfase em Deficiência Intelectual; tem formação profissionalizante em Artes e Design (CDS) e Museologia (MCDB).

É trainee em Inovação na Gestão Pública no Laboratório de Inovação na Gestão do Governo do Estado do Espírito Santo. Trabalhou na área da cultura na implantação do Museu da Obra Salesiana no Brasil, em São Paulo-SP, e em Campo Grande-MS colaborou com a transferência do Museu das Culturas Dom Bosco para nova sede. Foi colunista semanal do site As Operárias.

O mínimo que se espera de alguém que tem 31 anos de idade e 29 dentro de uma instituição de ensino é que transmita um pouco do que aprendeu ao longo dos anos. Esse é o desafio do momento.

Agora pretende se disciplinar e manter essa coluna sempre atualizada. (de novo rs)

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Museu Casa Guilherme de Almeida: Um relato da visita



Dia 25 de julho é o Dia do Escritor. Para comemorá-lo trouxe um artigo que escrevi ano passado para o site da instituição na qual eu trabalhava. Achei que seria uma boa homenagem para essa data. Vale a pena a leitura ou re-leitura.

 

Quando se trabalhou por muito tempo em museus, o profissional acaba tornando-se representante da instituição para a qual trabalha. Ao visitar a Pinacoteca, o Museu do Holocausto ou qualquer outro, a conversa acaba sendo conduzida pelo caminho das instituições, o que temos em comum, o que destacamos de nosso trabalho e o que levaremos de aprendizado do trabalho do outro. Foi o que aconteceu há algum tempo, quando eu, na posição de educadora de um museu da capital, visitei, junto a representantes de outras instituições, o museu-casa, biográfico literário, Casa Guilherme de Almeida.

 

O grupo que era composto pela diretora executiva do Museu da Pessoa, Sônia London (atuando como coordenadora do grupo); a educadora do Centro Cultural da Juventude, Elcy Almeida; Emiliano Polcaro que tinha como objetivo levar o formato do Museu da Pessoa para Buenos Aires; e por mim.

 

A visita fez parte do “Workshop Espaços de Memória e Cultura: da mediação cultural à inovação social”, realizado pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo em 2016. O intuito era conhecer o museu e seu educativo para observar em suas ações a atuação como mediação cultural e a presença de atividades pensadas segundo o conceito de inovação social.

 

Agendamos a visita com a coordenadora do núcleo Educativo, Cíntia, para às 10h, assim acompanharíamos um grupo de Jovens Aprendizes da ESPRO - Ensino Social Profissionalizante, uma organização sem fins lucrativos que atua na capacitação profissional para inclusão de jovens no mercado de trabalho, e depois conversaríamos sobre as atividades desenvolvidas pelo educativo.

O Museu é pequeno e não permite mais que 10 pessoas no mesmo espaço, por isso o grupo de aproximadamente 20 jovens foi dividido em dois ficando um com a educadora Flávia e o outro com o educador Sidnei. Nós também nos dividimos para que pudéssemos acompanhar os dois educadores e depois, entre nós, compararmos nossas impressões.  

 

“Confesso que fui para essa visita apreensiva e ao mesmo tempo desacreditando que se conseguiria trabalhar o tema do workshop de maneira ampla. Apesar de, na época, trabalharmos todos em instituições culturais, temos também pré-julgamentos. Afinal, tratava-se de um museu- casa pequeno, com um acervo de tipologias diversas em sua maioria bibliográfico e arquivístico, que recebia um número restrito de visitantes e que possivelmente não traria quase nenhuma inovação em seu modo de conduzir uma visita mediada. Como estava enganada!”

 

A visita aconteceu com diálogo aberto a todo momento. Existe um roteiro pré-definido que foi elaborado com o seguinte pensamento: se a visita dura 1h30min, 30min é de fala ‘obrigatória”, 30min é livre para que cada educador conduza a conversação com liberdade para agregar conteúdo e contextualização de acordo com a sua percepção do grupo, e o período restante é para uma reflexão final quando se juntam os dois grupos de visitantes. Claro que essa primeira uma hora não é fixada em:  primeiro o obrigatório e depois a conversa. As duas partes vão dialogando juntas o tempo todo. O que vimos ali? Uma discussão em  linguagem poética, que pode ser associada à poesia de Guilherme de Almeida, que procedia da própria formação e sensibilidade dos educadores (os educadores do museu são formados em Letras e Artes). Com essa abordagem, conseguiam fazer com que o visitante se sentisse em casa, sem receio de se expressar e com vontade de compartilhar suas percepções.

 

Nesse momento, uma fala do Sidnei me marcou muito “Nada pertence à família [netos ou bisnetos de Guilherme de Almeida]. Tudo isso daqui é nosso, isso aqui é público”. Estava ali a sentença que apresentava aos jovens a “pertença”, o poder de ser o dono do espaço e a liberdade para usufruir dele. Também vi muita desenvoltura na abordagem do Sidnei, quando uma aluna perguntou se Guilherme de Almeida era ateu. Ele não responde de imediato, busca conhecer o porquê desse questionamento para então decidir como colocaria a resposta. A aluna justificou a pergunta dizendo que, como Guilherme de Almeida era escritor, filósofo, ligado à política e esse perfil geralmente descreve um ateu, talvez existisse a possibilidade do poeta o ser. A resposta do educador não foi nem “sim” nem “não”. Buscou chamar atenção para os diversos tipos de religiões presentes na casa por meio dos objetos (budas de diversas regiões, crucifixo, altar com santa...), chega no tema das religiões; discute como é a linguagem dos livros sagrados e então aborda as diferenças entre a linguagem do jornal, do livro poético e do livro sagrado. Essa sensibilidade de conseguir conduzir a discussão de forma com que a aluna sentisse que seu questionamento fora importante e, sem que percebêssemos, voltássemos ao trabalho sobre Guilherme de Almeida (a linguagem da escrita), é algo difícil de se fazer e foi feito de forma ímpar.

 

Durante seu percurso, a educadora Flávia aponta para as sinalizações de acessibilidade para surdos e aborda a importância da  Libras no país e no mundo. Ela estuda esta linguagem, apesar de no momento o museu estar sem mediação para deficientes auditivos, e consegue trazer a sensibilização sobre questões que envolvem a inclusão dentro de instituições culturais e, por que não, dentro do ensino formal. Aqui é importante ressaltar que há pelo museu pranchas táteis em relevo para o toque dos deficientes visuais, como a reprodução do brasão de São Paulo (idealizado por Guilherme de Almeida) e a capa da revista Klaxon.

 

No final da visita dentro da casa, os visitantes são convidados para um espaço extremamente aconchegante. É um jardim com a escadaria transformada em arquibancada. É ali que a reflexão final acontece e quando o objeto de trabalho do museu é colocado a serviço da necessidade do visitante. Nesse dia, a visita fez parte do roteiro denominado Roteiro Carreira, em que o foco maior e intrínseco era abordar o assunto- trabalho. Com a ajuda de materiais de apoio, os educadores trouxeram ao tema- trabalho- uma outra perspectiva. O Sidnei abordou o trabalho maquinado, sem questionamento, sem reflexão, sem conhecer o todo fazendo somente o que se é mandado, já a Flávia trouxe à tona a responsabilidade social que pode ser agregada ao trabalho, como trabalhar pelo bem do próximo? E assim encerra a visita dos jovens do ESPRO.

Ao finalizar a visita todo o educativo se reuniu para apresentar seu trabalho para nós. A coordenadora do núcleo educativo colocou uma apresentação com imagens e explanou sobre as atividades educativas que são inúmeras, cada uma pensada em um determinado público ou em um objeto de estudo diferente. Tivemos o carinho do diretor do museu, Marcelo Tápia, que fez questão de participar desse momento e trouxe importantes informações sobre a mudança pela qual passou o museu a partir da entrada da Organização Social Poiesis na gestão do espaço.

 

Como eu disse, são muitas as atividades que formam o educativo mas uma em especial me encantou: a visita às casas de idosos, “Um dedo de prosa”. Os educadores visitam idosos em suas casas levando um pouco do museu e de Guilherme de Almeida, seja com a leitura de poesias, conversas sobre filmes ou qualquer outro assunto que faça ligação com o tema do museu e seja de interesse desse idoso. Muitas vezes são pessoas que não andam e até que não se comunicam verbalmente, o que enriquece ainda mais a importância desse trabalho que funciona dentro da dinâmica de doação, onde o museu e sua equipe doam seu tempo para uma atividade que muitas vezes não trará um retorno visível para a instituição.

 

Teria muito mais o que falar, apesar do tamanho do texto tenho a sensação que não escrevi 10% de tudo que experimentei nessa visita. Nada do que foi escrito aqui conseguiria transmitir a imensa surpresa e encantamento que senti, e posso afirmar que todos do grupo sentiram o mesmo, ao visitar a Casa Guilherme de Almeida. Todos aqueles julgamentos feitos antes da visita foram por água abaixo e conheci um dos espaços mais aconchegantes e com uma das melhores mediações de São Paulo. É um espaço de visita obrigatória para quem procura o tema da Arte Moderna no Brasil, para quem busca conhecimentos sobre o autor, para quem busca expografia, para quem busca aprender sobre o que é uma ação educativa eficaz.

 

Marcelo Tápia fez uma apresentação do museu a todos que participaram do workshop e durante essa apresentação disse que a Casa Guilherme de Almeida tratava-se de “um pequeno grande museu”. Hoje tenho propriedade para dizer que é “literalmente um pequeno grande museu”.

 

Fica aqui meu agradecimento a todos que nos receberam muito bem, aos guardas, à Cíntia, aos educadores e ao diretor. Parabéns pelo trabalho e que este jamais se esgote e permaneça nessa linha de constante renovação e liberdade. Muito obrigada.

 

Para saber mais ou agendar uma visita acesse o site do Casa Guilherme de Almeida:

www.casaguilhermedealmeida.org.br 

 

Perdeu os outros artigos? Estão todos aí embaixo:

A arte como campo privilegiado de enfrentamento do trágico e o caso Jim Carrey (I needed color)

O homossexualismo na Arte e a obra de Steve Walker

A figura de Cristo e a face Aqueropita

O papel da escola no hábito do cidadão de frequentar e desfrutar a Arte

Museu Casa Guilherme de Almeida: Um relato da visita

Tecnologia dentro dos museus: aliada ou inimiga
A Arte que a escola não ensina e o analfabetismo cultural 

A globalização, as crianças e a mudança da referência de protagonistas

A cultura só pode ser compreendida a partir da história

Cultura como direito básico gerando desenvolvimento

Por que usar museus?

Patrimônio, Desenvolvimento, Globalização e Futuro: Case Polo Turístico do Circuito das Frutas

 










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