Segunda-Feira, 22 de Julho de 2019

Dhian Carlos Thierizi

Dhian Carlos é um jardineiro iniciante.

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Números Ordinais



Ela pediu a última parcela do meu 13º pra pagar a carta de motorista.

Eu dei.

Ué... Esses pedidos funcionam como uma extensão do compromisso amoroso.

Mesmo o 13º sendo uma boa representação da dependência e, às vezes, do desespero, eu dei.

Ela me deixou uma semana depois.

Lá se foi o meu 13º.

Lá se foi ela com o outro.

Com o 2º.

O 2º que já era o 1º, na verdade.

O compromisso amoroso, por outro lado, ilude nossa cabeça no que diz respeito à observação desses dolorosos (e futuros) infortúnios.

Nossa casinha estava sendo levantada.

Lentamente, mas estava. Meus olhos de zumbi brilhavam quando imaginavam um futuro mais tranquilo.

Meus olhos de zumbi se depararam com o desmoronar de minha realidade.

Choraram. E como choraram os meus olhos.

Naquele tempo eu trabalhava de servente de pedreiro durante a semana, cursava faculdade e cumpria o estágio obrigatório.

Aos fins de semana, fazia bico de garçom para um buffet que prestava serviço em festas de casamento.

Festas de casamento...

Dá pra acreditar?

Lá estava eu no escuro de minha mágoa servindo todas aquelas pessoas sorridentes.

Meu sagrado matrimônio tinha ido pro inferno e lá estava eu e meus sonhos despedaçados presenciando o início da esperança alheia.

Fodam-se! Amaldiçoei toda porra de casal fim de semana após fim de semana.

 

-Ôoo Magrelo, melhora essa cara, cara. Daqui a pouco tem cliente reclamando...

-Vai tomar no cu! Que reclamem! Cuspo em tudo nessa merda aqui!

 

O Barbosa sabia da recente e fatídica história e enchia o meu saco só por diversão.

Eu contei apenas pra ele. Muito embora, mais cedo ou mais tarde, o restante da equipe saberia.

Não que eu me importasse que soubessem, mas o Barbosa foi o único que ganhou rapidamente minha amizade e confiança.

Após narrar com atenção regrada a lengalenga da minha desgraça, ouvi dele:

 

“Magrelo, o coração é um lugar que ninguém vai.”

 

Suportei por pouco tempo, como era de se esperar.

Já estava afetado demais e um pouco mais daquilo poderia significar a morte.

Parei antes que a ideia de morrer começasse a soar como algo plausível.

 

“Festas de casamento é um lugar que não vou mais.”

 

Continuei pelegando como servente.

Me arrastava na faculdade e no estágio.

Tenho uma vaga noção de como eram os fins de semana.

Dormia muito. Muito mesmo.

Comia pouco e não tomava banho.

Era acordado pelo meu gato quando o pobrezinho sentia fome.

Vez ou outra minhas tias e minha mãe me tiravam da cama.

 

-Hoje vamos te levar pra uma festinha, filho.

-É de casamento?

 

Geralmente tinham que me trazer de volta antes do final.

Segundo elas, eu ficava sentado o tempo todo olhando para um ponto fixo e não ouvia quando as pessoas conversavam comigo.

Eu não lembro disso. Juro que queria lembrar. Nem vaga noção...

É normal as pessoas pensarem que, nessa situação, faz bem sair de casa.

Pode ser que sim, se você arrancar sua cabeça e a deixar trancada no guarda-roupa.

 

Os meses se passaram e eu aceitei.

Aceitar é um dos segredos, não é?

Calcular os riscos é outro.

É lógico que nesse meio tempo tentei entender quais foram as motivações que ela teve.

Tivemos muitas conversas.

Recebi respostas frias e desconexas. Como se houvesse um preguiça voluntária da parte dela.

Aos poucos entendi que a preguiça era na verdade uma certa compaixão.

A resposta que ela queria dar era um “porque sim”, um “porque eu quis”, um “porque eu deixei de te amar”, um “porque aconteceu”.

É, aconteceu...

Simplicidade complexa.

Seguir na estrada da própria felicidade, às vezes, deixa pelo caminho terríveis acidentes de tristeza.

Parece egoísmo, mas é coragem.

Uma bela coragem. Diria até que revolucionária.

Não sou um idiota condescendente.

Era um idiota que pensava que o certo só era visto pelos meus olhos.

Não é assim que funciona.

Continua sendo idiota quem pensa que um “te amo” é sentença.

 

Atualmente eu estou bem. Diria que muito bem.

Todos esperam pelo “atualmente”, não é?

Me formei.

Trabalho na área da minha formação.

Já me apaixonei novamente.

Já namorei.

Caramba! Penso até em casar outra vez...

 

“Festas de casamento é um lugar em que posso voltar.”

 

Detesto números ordinais.










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