Sábado, 21 de Setembro de 2019

Flaviana Souza

Formada em Publicidade e Propaganda (UNIBERO) e Eventos (ANHEMBI MORUMBI); estudante de MBA de Criatividade e Inovação no Ambiente Empresarial (UNICESUMAR) e de pós-graduação em Gestão Pública (FAEL); com pós-graduação em Gestão Cultural (Senac), Metodologia do Ensino de Artes (Uninter) e Educação Inclusiva com ênfase em Deficiência Intelectual; tem formação profissionalizante em Artes e Design (CDS) e Museologia (MCDB).

É trainee em Inovação na Gestão Pública no Laboratório de Inovação na Gestão do Governo do Estado do Espírito Santo. Trabalhou na área da cultura na implantação do Museu da Obra Salesiana no Brasil, em São Paulo-SP, e em Campo Grande-MS colaborou com a transferência do Museu das Culturas Dom Bosco para nova sede. Foi colunista semanal do site As Operárias.

O mínimo que se espera de alguém que tem 31 anos de idade e 29 dentro de uma instituição de ensino é que transmita um pouco do que aprendeu ao longo dos anos. Esse é o desafio do momento.

Agora pretende se disciplinar e manter essa coluna sempre atualizada. (de novo rs)

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Por que usar museus?



 

Tenho uma particularidade para escrever, preciso florear sobre o conteúdo, mas antes de colocá-lo no papel, tenho a necessidade de definir o título, para que ele seja meu guia. Depois dos polos desse texto determinados, comecei a pensar no título. Por que visitar museus? Por que frequentar museus? Não. Por que usar museus?

O termo usar compreende de modo mais completo a imagem que eu quero que o leitor tenha. O uso designa alta frequência enquanto visita é esporádico. Eu uso uma peça de roupa até esgotá-la e muitas vezes, desfaço-me dela sem ter a convicção do desapego, apenas cumprindo um conceito habitual do bem vestir, do não repetir roupa. Mas e a roupa que eu usei apenas uma vez e depois me desfiz ou acomodei em um canto esquecido do armário? Você não usou essa peça, você experimentou e por algum motivo particular, não gostou da experiência.

Meu anseio é que as instituições museológicas sejam usadas até seu esgotamento, se é que isso é possível. Que delas sejam extraídos os mais diversos aprendizados e as mais diversas dúvidas. Sim, dúvidas porque a Nova Museologia defende que os museus não devem entregar respostas e conhecimento ao seu visitante e sim despertar a curiosidade pela busca dessas respostas e conhecimento. O casamento entre o museu e o visitante deve ter como pilar central a interação entre a expectativa e a doação de ambos.

Huges de Varine-Bohan, primeiro diretor do Conselho Internacional de Museus (ICOM) foi o responsável pela nova definição de museu expressada pelo ICOM, contribuindo então para a crítica do museu tradicional e nascimento da Nova Museologia. Varine-Bohan precisa que o museu tradicional era concebido como um edifício, uma coleção e um público, e estabelece uma nova regra baseada em três novos conceitos que substituem os anteriores: território, patrimônio coletivo e comunidade participativa. González (2012)

É partindo dos novos conceitos da museologia que, em suma, afunila para a interação com a comunidade, com o público, que unifico a minha sede pelo usar e direciono para um determinado segmento de público: o público escolar.

Quando o ex-ministro da educação, Aloísio Mercadante, questionou “O que museu tem a ver com educação?”, muitas foram as manifestações intelectuais em defesa aos museus. Optei por ir à contramão e defender a educação, o que de forma alguma significa concordar com o questionamento.

Se, em diversos casos, atribuímos a culpa por ações de alunos à educação - ou falta dela -aprendida em casa, admitimos que os espaços de aprendizado ultrapassam os limites do colégio. Estamos então abertos a compreender que, além da educação formal, existem a educação informal (e/ou incidental) absorvida no ambiente familiar, e a educação não-formal, cedida em espaços não formais como museus, teatro, cinema, etc. MEC (2009)

E como podemos usar os museus para favorecer a educação?

PASTRO (2010), afirma que apenas uma língua é universal e unifica: a imagem. Uma forma, uma cor, sons, cheiros, poemas, composições e construções são imagens indicativas de uma outra realidade além do imediato que se vê e sente. Diz ainda que existem pessoas com desequilíbrio de formação e de comunicação, pois, desde a infância, experimentaram mal as imagens ao seu redor ou seus educadores (neste ponto incluem-se os educadores dos três espaços) lhes passaram imagens quebradas ou falsas. Esse desequilíbrio deve-se ao fato de sermos acondicionados a andar, falar, ouvir e brincar e dificilmente a ver, olhar e escutar.

A educação formal, na grande maioria das vezes, não explora a linguagem universal, a imagem. E aqui caberia uma longa discussão sobre o modo tradicional como a educação formal é mantida. Mas e a evolução tecnológica, os iPads, as plataformas multimídias, o ensino tridimensional? Úteis, obviamente, mas ainda não tão completos quanto à imagem que podemos formar por meio do tato, do olfato, do paladar, da visão... E é nesse meio que se encontram os museus. Abertos, disponíveis, implorando para serem observados, tocados, cheirados, degustados...

Talvez a compreensão fique mais clara se desmembrarmos os termos IMAGEM e ENSINAR. PASTROS (2010)

IMAGO = IMAGEM: palavra latina que significa sombra, espectro, fantasma, visão, retrato, cópia, imitação, parábola, lembrança, sinal.

IN+AGER: no campo

AGGER, ERIS: terra, campo de terra

AGGERARE: amontoar terra.

IMAGEM: monte de terra ou terra arada, marcada.

Na sua origem etimológica, imagem dá idéia de monte de terra por sob o qual há algum conteúdo. E se a forma é adquirida por um conteúdo, forma e conteúdo se completam. A escrita surgiu com formas e figuras gestuais de animais e pessoas. O drama humano que compreende o espaço de tempo entre a vida e a morte é repleto de marcas (tanto no homem quanto no espaço por onde ele passa) e com essas marcas, o homem faz arte e cultura, cultiva e é cultivado. Então, a imagem é um sinal de presença formado pelo matrimônio com as marcas. A imagem é um anel de compromisso.

ENSINAR = IN+SIGNUS: levar para dentro de um sinal, desvendar um sinal, uma imagem. Quem ensina, revela, desvela o que está por trás de um sinal. E o sinal não se explica: a própria forma o revela.

Existem aprendizados que somente a imagem é capaz de ensinar.

O museu, que é a caixa onde acondicionamos o patrimônio (as imagens), tem a funcionalidade de simplesmente permitir que as imagens fiquem ao alcance do público e utilizando todos os sentidos para perceber a imagem, a fixação do aprendizado pode ser otimizada. Nos museus, não buscamos substituir o aprendizado do público sobre o tema, mas estimular a vontade de conhecer mais sobre o tema. É um trabalho em conjunto onde o espaço não-formal pode oferecer uma linguagem onde se mostram elementos similares e contraditórios, sempre estabelecendo uma relação entre eles, e criar um espaço de inter-relação entre o discurso da exposição e o olhar do público sob os objetos. GONZÁLEZ (2010)

O museu pode contribuir com a educação formal à medida que ensina que exposições não se baseiam em conhecimentos prévios, se baseiam em emoções, geram experiências, estimulam o conhecimento e a interatividade em três formas: por meio da interatividade inteligente, por meio da interatividade provocadora ou por meio da interatividade cultural.

Como muito bem diz o museólogo espanhol Luis Fernandez (GONZÁLEZ, 2012): “... um museu é uma instituição chamada para ser o centro da vida cultural do amanhã, a partir da conservação de um patrimônio voltado a ser vivo e não enfermo em mausoléus inacessíveis para a maioria...”

USEM os museus.

 

REFERÊNCIAS

GONZÁLEZ, Natalia Iglesias. Introducción a la museografía. Concepto, evolución y tipologias. Akanto. 2012

MEC. Museu e escola: educação formal e não-formal. Secretaria da Educação a Distância. 2009

PASTRO, Cláudio. A arte no cristianismo. Editora Paulus. 2010

 

 

Perdeu os outros artigos? Estão todos aí embaixo:

 

A arte como campo privilegiado de enfrentamento do trágico e o caso Jim Carrey (I needed color)

O homossexualismo na Arte e a obra de Steve Walker

A figura de Cristo e a face Aqueropita

O papel da escola no hábito do cidadão de frequentar e desfrutar a Arte

Museu Casa Guilherme de Almeida: Um relato da visita

Tecnologia dentro dos museus: aliada ou inimiga
A Arte que a escola não ensina e o analfabetismo cultural 

A globalização, as crianças e a mudança da referência de protagonistas

A cultura só pode ser compreendida a partir da história

Cultura como direito básico gerando desenvolvimento

Por que usar museus?

Patrimônio, Desenvolvimento, Globalização e Futuro: Case Polo Turístico do Circuito das Frutas

 

 










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