Quinta-Feira, 25 de Abril de 2019

Andrea Paiva

Andrea Paiva é Pedagoga e Pós-Graduanda em Fundamentos de uma Educação para o Pensar pela PUC-SP. Apaixonada por questões filosóficas e estudos do Ser, Andrea Paiva é poetisa e autora de livros. Atualmente é pesquisadora na área da educação através do Grupo de Pesquisa e Produção do Conhecimento - Cátedra Joel Martins PUC-SP.

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Rico tem Dom, Pobre tem Sorte



 

 

Por Andrea Paiva

contato@andreapaiva.com

 

Segundo o dicionário etimológico da Língua Portuguesa, dom significa “dádiva”, “dote natural”. Mas seria possível afirmar (com certeza) que determinadas habilidades são dons? Você pode nunca ter pensado sobre isso, mas este é um assunto que divide, consideravelmente, as pessoas em classes. Inclusive você!

Você já percebeu que, de modo geral, filho de ator, torna-se ator? Filho de cantor, torna-se cantor? Filho de pianista, torna-se pianista? E filho de pobre que nunca viu ou nunca terá contato com um piano na vida? Isso seria dom ou esse “tornar-se”, está diretamente relacionado às condições propícias da pessoa para a prática da ação?

Às vezes queremos muito uma coisa, mas o desenvolvimento das habilidades exigidas não ocorreram. Isso significa que você não seria capaz de desenvolvê-las, caso tivesse existido chances para isso? Seria dom ou as circunstâncias te favoreceram?

Podemos dizer que existem aqueles que possuem uma voz belíssima sem o mínimo esforço, pois nasceram assim? Podemos! Mas nascer com um belo timbre de voz não quer dizer que isso tenha sido algo divino ou especificamente direcionado a essas pessoas.

Digamos que a pessoa não saiba cantar. Não possui o dom, visto que não nasceu com ele. Fez aulas e aprendeu. Agora o possui?

Ah, mas é claro que você dirá que ele sempre existiu, só precisava ser desenvolvido! Ha, ha, ha! Ok! Então, partindo desse pressuposto, podemos dizer que todos possuem dons, basta apenas desenvolvê-los e pronto! Sendo assim, como é possível dizer que determinada pessoa não nasceu com este ou aquele dom?

Uns apresentam mais habilidades que outros em determinadas situações, isso ninguém pode negar. Mas dizer que seja algo divinamente premeditado, ou mesmo intrínseco, é outra coisa.

Imaginemos agora que o piano jamais tivesse sido inventado. Como a pessoa nasceria com o dom de saber tocá-lo? Será que pessoas nascidas no século XV, por exemplo, morreram sem a mínima chance de saber de seu dom para o desenho gráfico? Visto que na época, sua prática nem ao menos existia como possibilidade de ser?

Nessa perspectiva, é possível então que o seu dom esteja direcionado a algo que ainda não existe? Será que cada época histórica possui seus próprios dons? Seria muito azar, caso você tenha nascido numa época que não colabore com o surgimento do seu dom. Não é mesmo?

Dizem, por exemplo, que “escrever bem” é um dom. Oras, e o adulto que morreu analfabeto, não nasceu com este dom, visto que nunca aprendeu a escrever? Ou nasce ou não nasce, certo? Como isso seria possível, então?

Você já considerou que o que você chama de dom, nada mais é do que uma habilidade apreendida culturalmente, visto que socialmente é desenvolvida?

Há quem desista de seus desejos por acreditarem que não possuem o dom para a coisa desejada. Oras, minha gente! Diga-me uma só coisa que não seja possível ser apreendida e aprimorada nos dias atuais? Hoje em dia nem é preciso saber muito para se fazer o que quer que seja. Cantar é um exemplo disso.

Tem pessoas que fazem um sucesso estrondoso, mas cantam graças ao auxílio de tecnologias. E “cantam”! É até gostoso de ouvir. Mas sabem cantar? Não!

Cada pessoa é uma singularidade e nasce com um timbre de voz próprio. O que não significa que isso seja um dom. É preciso praticar, aperfeiçoar, ou mesmo, aprender. A própria fala é algo aprendido! A história de Kaspar Hauser* é um exemplo disso.

Por outro lado, é importante saber quando a vida nos diz não. Mas, até que se compreenda este não, o potencial ainda existe enquanto possibilidade. Portanto, não desista de seus desejos assim, tão facilmente. Pode não ser a música ou o canto, mas, independente de qual seja, não procure suas habilidades na prateleira dos “dons”. Não é dom, mas potencial criador, o qual todos podem desenvolver.

 

*Para os que desejam conhecer a história de Kaspar Hauser, eu indico o livro “Kaspar Hauser ou a Realidade Fabricada, de Izidoro Blikstein” e o filme “O Enígma de Kaspar Hauser”.

 

 










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