Quarta-Feira, 24 de Abril de 2019

Ricardo Di Carlo

Ricardo Di Carlo é ator profissional em Teatro e Cinema. Possui Especialização em Metodologia no Ensino de Artes - Eixo Temático: Processos e Práticas no Ensino do Teatro. Formou-se em Arte-Dramática e em Direção de Produção Cultural. É ator, diretor, professor, pesquisador, produtor e preparador de elenco em cinema e teatro. Como pesquisador dedica-se a estudos acadêmicos na área de formação do ator, teatro e arte-educação. Nos palcos, interpretou personagens célebres, Édipo, de Édipo Rei, de Sófocles; Puck, de O Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, e Bibelot, de Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues. No cinema, protagonizou Kissing Death, direção de Michelle Barllet; Morte Súbita, com sua direção; e Poderosa Adoração, filme de Leandro Cavalheiro.

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Uma obra fulcral: "Hamlet" de William Shakespeare



Fonte da imagem: Hamlet (filme), 1948.

 

William Shakespeare, nasceu em 23 de abril de 1564. Nasceu e foi criado em Straford-on-Avon. Foi um dramaturgo, inglês. Considerado por muitos, o mais influente dramaturgo do mundo.

Aos 18 anos, casou-se com, Anne Hathaway. Shakespeare, viveu mergulhado no universo teatral, tendo sido, ator, dramaturgo e dono de no mínimo duas companhias de teatro. A útlima foi King’ Men: Os Homens do Rei.

No início da carreira como dramaturgo, escreveu comédias. E apresentou grande sofisticação apresentando personagens históricos em suas obras até o fim do séc. XVI. Posteriormente produziu grandes tragédias, entre elas: Hamlet.

Interessante saber que Shakespeare, antes de produzir seus próprios textos, refundia textos alheios, e assim acabou escrevendo os seus.

Em 23 de abril de 1616, veio a falecer, em sua cidade natal. A causa da morte não foi identificada pelos historiadores, mas diz-se que foi após visita de alguns amigos e exagerada noite regada a vinhos e tragos. Morria o maior dramaturgo inglês. E talvez o maior dramaturgo do mundo.

O contexto histórico em que Shakespeare estava inserido muito favorecia o desenvolvimento cultural e artístico, financiado pela rainha Elisabeth I, e assim sua produção foi intensa, sendo sem ua grande maioria textos dramáticos.

Hamlet, foi escrito e encenado aproximadamente em 1600, é considerada (estruturalmente) a maior peça de Shakespeare bem como a mais interpretada e adaptada da história (tanto no teatro quanto no cinema, onde há mais de 50 versões) e a que rendeu grandes estudos psicanalíticos sobre seu protagonista.

Segundo Holden (2003), esta foi uma obra:

“produzida mais ou menos na metade da vida criativa de Shakespeare, Hamlet é um divisor de águas na forma como o dramaturgo via a si mesmo e suas habilidades. Tudo o que já havia escrito parece, de repente, uma preparação para esse momento, à medida que ele voa mais alto e atinge horizontes mais amplos para mostrar todos os prismas de sua arte perfeita, encantando a platéia com arroubos de imaginação e sabedoria analítica cujos mistérios jamais serão completamente desvendados” (HOLDEN , 2003, p. 173).

A obra caracteriza-se como uma “tragédia de vingança”, gênero inaugurado por Thomas Kyd com a obra “Tragédia Espanhola”, sendo que, segundo historiadores esta narrativa foi a influencia mais direta sobre esta obra de Shakespeare.

A “tragédia de vingança” caracteriza-se por demonstrar ao público o que gerou a necessidade da vingança (em Hamlet, o assassinato do pai); é costumeiro que o pedido  de vingança seja feito por um fantasma, há um compromisso do vingaador com sua promessa por vezes hesita, mas não pode deixar de cumprir, sendo que quem a planeja é o vingador; há sempre confrontação entre antagonista e protagonista, uma loucura real ou fingida, mas no final a vingança se concretiza e temos sempre a catástrofe final.

A história original do príncipe da Dinamarca, base para Hamlet, consta na Gesta Danorum, uma obra de Saxo Gramaticus, mas a versão que supostamente chegou até Shakespeare data de 1570 sob o titulo de Histoires Tragiques, a base da história é a mesma, Shakespeare fez algumas alterações no enredo e alterou os nomes e as funções de alguns dos personagens.

Shakespeare trabalha muito com o meta-teatro e se utiliza de solilóquios do protagonista a fim de mostrar o seu “interior”, o que se passa com ele, bem como se serve de duas características do Renascimento: o antropocentrismo e a racionalidade do homem, sendo assim o homem responsável pelos seus atos e pelas conseqüências destes, avaliando-os de forma racional, é o cérebro quem conduz a espada, como nas artimanhas que engendra para se vingar, mas também há cenas em que ações precipitadas são tomadas e estes rompantes bruscos levam, por exemplo, a ações como no final trágico.

Toda tragédia trabalhada em Hamlet, todo sangue derramado no reino da Dinamarca e a chegada de Fortimbrás, o novo rei que veio reclamar seu trono, prenuncia uma purificação do trono dinamarquês.

A tragédia do Príncipe da Dinamarca, emociona, ao trazer o valor que um filho tem por seu pai e sua memória. Hamlet inicia a peça desolado em meio a sua perda; indignado com o descaso à memória de seu pai e rei.

Além disso, existe um clima de mistério, que parece habitar o reino da Dinamarca. Um perigo parece envolver o ar. O descaso com a memória do rei, pai de Hamlet, parece indicar uma advertência do falecido que antes era soberano.

A obra é muito envolvente, há um rei morto, que agora é um fantasma e vagueia pelas noites ao encontro de seu filho (Hamlet) para clamar a vingança por sua morte sem fortuna, em que foi assassinado por seu irmão, atual rei. Hamlet, então toma para si a vingança do pai, atordoando todos aqueles que o circundam, incluindo sua amada Ofélia, que cai em loucura.

Os dramas pscicológicos são muito expressivos, em especial nas relações de Hamlet com a mãe (traidora de seu pai, e atual esposa do seu antes cunhado, cúmplice do assassinato de seu esposo); Ofélia seu amor, e o atual rei (seu tio-padrasto e assassino de seu pai).

Hamet apresenta uma enorme potência dramática, encontramos a realidade da difícil condição humana por meio dos conflitos profundos do personagem título. Hamlet ao buscar vingança, vinga o rei morto, vê seu tio e mãe caírem nas próprias armadilhas, tudo que traz é a morte. É a causa, talvez, da loucura de Ofélia seu amada, além de morrer no insasiável desejo de justiça pela morte do pai.

A obra abre interpretações diversas e uma delas, pode indicar que se Hamlet, deixasse tudo correr, os reis teriam caído por si próprios e, ele teria tido vida feliz com sua amada Ofélia. Teria Shakespeare tentado ensinar o amor ao invés da vingança? Impossível afirmar qualquer hipótese ainda mais estando a obra tão deslocada no tempo. De qualquer modo é importante lembrar que a recepção como em qualquer obra é diferente em cada espectador/leitor.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HOLDEN, Anthony. William Shakespeare. [Tradução de Beatriz Horta]. São Paulo: Ediouro, 2003.

KERMODE, Frank. A linguagem de Shakespeare. Rio de Janeiro: Record, 2006.

SHAKESPEARE, William. Hamlet; tradução Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo. Editora: Abril / Editor: Victor Civita Hall, 1976.

 










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