Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Thiane Ávila

Estudante de comunicação social, já atuou como professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Seu gosto pela escrita foi percebido e trabalhado desde muito cedo, levando-a a, hoje em dia, manter um blog pessoal com postagens regulares de textos autorais.

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Viver o pecado de ser alguém com peso de ninguém



Os dedos são os instrumentos da origem e da eternidade. Profanam o direito e a função da eloquência, servindo de sustentáculo aos resquícios de dignidade. Podendo, pois, santificar o incrédulo e trazer à luz os perdidos das virtudes 

Se já não bastasse ser pecado existir, ainda há quem esteja subjugado a pecar por não ser. A nudez que ofende as existências circundantes é deveras a perdição dos inocentes. A culpada da imoralidade e do assédio existencial.

Ser alguém com peso de ninguém é, pois, nascer e só. Na Thémis de nossos ancestrais lacrou-se na lei sem registro a identidade cultural. A sujeição aos parâmetros eruditos da perfeição, cada vez mais perfeita com o passar dos anos.

Não se pode tirar o direito de existir a partir do momento em que se subsiste. No entanto, o despadrão é senão um alguém com peso de ninguém. Ou ainda um ninguém com mais relevância que alguém, já que os beatos da criação são revestidos dos pés à cabeça de credulidade e arrojo, ressaltando, nos olhos e na pessoa do outro, seu próprio reflexo.

No sofá da sacanagem estão deitados os despreocupados com a moral, em eterna orgia com o desrespeito. A clareza das curvas, em nítida transparência com o conteúdo que carrega, é senão uma afronta. O beijo entregue às vontades trata-se da comprovação do imundo.

Talvez pesar ninguém resguarde ainda alguma migalha do verdadeiro alguém. A confusão da excursão terrena é fazer dos mitos a realidade. Das vontades a perdição. Da hipocrisia a Nómos grega.

Não há nada mais grave do que deitar com o gozo da felicidade. Com o sorriso da verdade desmascarada e sujeita às lágrimas a qualquer instante. Desarmar-se da armadura de querer ser, se o ser é o que se cultiva sobre o que hoje se é.

Demos preferência à nudez profana das virtudes engaioladas. As manifestações de existência são o alvo dos dedos, que se quebram na insistência de reverberar desacertos apenas culturais. Deselegância frente apenas à tristeza e ao cultivo da intolerância.

Leve como o voar dos pássaros, os ninguéns decolam ao ritmo das músicas influenciadoras. Dos costumes sem requinte e das estrofes carregadas de poesia lúdica. Assim, nesse terreno sedado de significado, a retórica de alguém fica como segundo plano. A distração transformada em tragédia para quem, de fato, exerce algum papel.

 

THIANE ÁVILA.












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